A verdadeira salvação e uma alma · Olhando para trás na caminhada
Tema de estudo: Você foi realmente salvo? · Quando uma alma é salva
O que é o mais importante em nossa fé?
No final das contas, é sempre Jesus Cristo e a questão da verdadeira salvação.
Podemos frequentar a igreja por longos anos e participar de diversas atividades religiosas. Contudo, precisamos nos colocar com honestidade diante da pergunta mais fundamental:
“Você foi realmente salvo?”
E, indo além, perguntamos:
“Como uma vida, considerada por Deus mais preciosa do que o mundo inteiro, chega à salvação?”
Nesta caminhada, discernimos a diferença entre vida religiosa e verdadeira salvação, e revisitamos a verdade da salvação mediante o arrependimento e a fé, juntamente com o glorioso processo pelo qual uma pessoa retorna aos braços do Senhor.
Além da vida religiosa: a verdadeira salvação
A vida religiosa não é salvação
O número de anos na igreja, os cargos ocupados ou as atividades religiosas fervorosas não garantem a salvação.
Os fariseus e escribas dos dias de Jesus também mantinham uma vida religiosa aparentemente impecável. Possuíam vasto conhecimento bíblico, jejuavam com regularidade e entregavam o dízimo.
No entanto, Jesus não olhou para a aparência exterior da religiosidade deles, mas para o coração.
Não devemos nos acomodar pensando que somos salvos simplesmente por acumular conhecimentos bíblicos na mente ou por estarmos habituados à cultura eclesiástica.
A salvação não é a mera concordância intelectual, mas uma relação pessoal de vida com Jesus Cristo.
O verdadeiro início da salvação: arrependimento e fé
A reação autêntica de quem se coloca diante do evangelho envolve dois elementos essenciais:
Arrependimento e fé.
1. Arrependimento — Afastar-se do lugar onde eu era o senhor da minha vida
O verdadeiro arrependimento não se limita a um pesar emocional que lamenta alguns erros embaraçosos do passado.
Na sua essência, há uma decisão que envolve todo o ser: reconhecer com sinceridade diante de Deus o fato de que “vivi sem Deus, sendo eu mesmo o dono da minha vida”, e dar meia-volta.
Parar no caminho em que vivia segundo a própria vontade e redirecionar o rumo da vida para Deus: essa é a essência do arrependimento segundo as Escrituras.
“Deus, afastei-me do Senhor e vivi conforme a minha própria vontade.
Agora interrompo esses passos obstinados e volto para os teus braços.”
Essa confissão é o centro de um coração arrependido.
2. Fé — Receber Jesus como Salvador e Senhor da vida
Ao nos arrependermos e nos voltarmos para Deus, acolhemos com confiança Jesus Cristo, o único Salvador enviado por Ele.
Crer em Jesus não é apenas concordar teoricamente com a existência histórica de Jesus.
- Jesus é o meu único Salvador (Savior): Reconheço que não posso pagar a dívida do pecado por minhas próprias forças ou boas obras, e confio unicamente no precioso sangue de Cristo derramado na cruz.
- Jesus é o meu verdadeiro Senhor (Lord): Desço do lugar de onde “eu era o dono da minha vida”, recebo Jesus como o Senhor da minha existência e inicio uma vida de obediência (João 1:12).
3. Uma relação de vida presente ao receber o dom do Espírito Santo
Deus derrama o Espírito Santo como dom sobre aquele que responde com fé verdadeira (Atos 2:38).
Quando o Espírito Santo habita em nosso coração, os nossos olhos espirituais se abrem para compreender a verdade do evangelho, capacitando-nos a viver a cada dia em uma nova vida de comunhão com Deus.
A salvação não permanece apenas como uma promessa futura de entrar no céu um dia; ela é o acontecimento presente em que a comunhão íntima com Deus é restaurada aqui e agora, para vivermos pela vida dele.
Como uma alma é salva
Vejamos agora como uma alma é salva
Quando o evangelho se torna evidente dentro de nós, o nosso olhar se volta naturalmente para as outras pessoas.
“Senhor, quem desejas salvar?”
Não podemos mudar o coração de alguém à força nem podemos abri-lo pela coerção.
A sagrada obra de salvar uma vida sempre começa primeiro por iniciativa de Deus.
A mensagem explica três elementos fundamentais no processo que conduz uma pessoa à salvação:
Primeiro, Deus move o coração dessa pessoa de antemão
Certo dia, surgem no coração de uma pessoa perguntas existenciais profundas:
“Por que sinto um vazio tão grande por dentro?”
“O que haverá depois da morte?”
“Será que Deus realmente existe?”
Alguém que habitualmente não demonstrava nenhum interesse por Deus começa a fazer perguntas sobre a vida.
Às vezes, ao enfrentar grandes adversidades ou limites na vida, surgem rachaduras em um coração outrora resistente. Quando as seguranças terrenas que a sustentavam começam a vacilar, a pessoa passa a buscar ajuda verdadeira no íntimo da alma.
A mensagem descreve essa providência prévia de Deus como graça preveniente.
O próprio Deus já está batendo à porta daquela pessoa.
Segundo, um evangelista atento responde à ação de Deus
Quando Deus está batendo à porta do coração de uma vida, se quem deve anunciar o evangelho não estiver vigilante, poderá deixar passar esse santo sinal.
Por isso, quem foi incumbido do evangelho precisa estar sempre sensível à voz suave do Espírito Santo.
Há dias em que uma determinada pessoa permanece de forma marcante em nosso coração, vem à nossa mente toda vez que oramos e a sua situação nos preocupa mais do que o habitual.
Nesse momento, em vez de passar com indiferença, perguntamos em silêncio:
“Senhor, queres que eu sirva a esta pessoa?”
Uma simples mensagem para saber como ela está pode se tornar o início de uma nova vida.
“Como você tem passado ultimamente?”
“Lembrei-me de você enquanto orava hoje.”
Uma palavra sincera pode ser um consolo acolhedor para alguém e tornar-se o primeiro passo precioso para que ela abra o coração a Deus.
Embora não sejamos nós que salvamos as pessoas, podemos nos tornar canais de vida nas mãos santas de Deus enquanto Ele mesmo opera.
Terceiro, servir com amor, anunciar o evangelho e esperar a resposta da pessoa
Aproximar-se de alguém de coração aberto e despejar apressadamente uma enxurrada de palavras não é tudo o que significa evangelizar.
Primeiro, devemos nos aproximar com amor sincero.
Conversamos juntos, servimos com dedicação às suas dificuldades e necessidades e acolhemos essa pessoa calorosamente.
Contudo, isso não deve parar apenas no serviço de amor sem anunciar a essência do evangelho.
Discernindo o momento concedido por Deus, devemos proclamar com clareza o evangelho da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo.
Aquela pessoa pode responder prontamente ao ouvir o evangelho, ou pode ser necessário um tempo mais longo de oração.
No entanto, o evangelista semeia com humildade a semente da Palavra, guarda-a em oração e aguarda com amor que Deus mesmo frutifique naquela alma.
Deus está à procura de cada pessoa
Jesus não procurava multidões grandiosas, mas ia ao encontro de pessoas marginalizadas e solitárias. Ele se encontrou pessoalmente com vidas das quais todos passavam ao largo sem prestar atenção.
Porque para o Criador, uma única alma é mais preciosa do que o mundo inteiro.
Ao seu redor e ao nosso redor, pode haver exatamente aquela pessoa sobre quem os olhos de Deus estão postos.
Mesmo que muitos pareçam indiferentes ao evangelho, não há motivo para desanimar. Se entre cem pessoas o coração de apenas uma estiver aberto, já vale a pena dar os passos necessários em favor dela.
Porque Deus ama aquela pessoa de todo o coração.
O ponto de partida do evangelismo não são as estatísticas ou os números visíveis, mas o coração do Pai que contempla com anseio ardente cada vida.
O preparo do evangelista para uma alma
A salvação de uma alma exige a dedicação do evangelista
O Deus Todo-Poderoso poderia realizar todas as coisas diretamente por Si mesmo, mas, admiravelmente, confiou a proclamação deste sagrado evangelho aos lábios e à obediência humana.
Por isso, no lugar onde uma alma passa da morte para a vida, sempre há as lágrimas anônimas e a entrega dedicada de alguém.
Há quem se ponha de joelhos para orar por aquela pessoa, quem a procure para ouvir em silêncio as suas dores, quem anuncie o evangelho da cruz quer a ocasião seja favorável ou não, e quem espere com amor sem jamais desistir.
Essa é a santa dedicação de quem recebeu a responsabilidade do evangelho.
A obra salvadora de Deus flui precisamente por meio de quem confessa com humildade:
“Senhor, embora eu seja imperfeito, usa-me.”
O evangelho precisa estar preparado dentro de mim
Quando Deus envia para perto de nós uma pessoa sedenta e hesitante, seria profundamente lamentável não saber o que dizer ou como anunciar a verdade.
Por isso, quem deseja comunicar o evangelho precisa estar firmemente alicerçado na verdade dele.
O que é o pecado existencial do homem, o que são o verdadeiro arrependimento e o novo nascimento, o que significam a morte expiatória de Jesus Cristo na cruz e a vida da Sua ressurreição, e o que é ser salvo pela fé: tudo isso precisa estar claramente compreendido no seu coração.
Quem está preparado com o evangelho consegue transmitir a Palavra da vida com segurança no momento decisivo em que o Espírito Santo abre o coração de uma pessoa.
A salvação de uma alma é o maior valor da vida
Imaginemos uma cena em silêncio:
Há alguém vagando longe de Deus.
Primeiro, Deus bate à porta do coração dessa pessoa e, naquele exato momento, você se lembra dela em suas orações.
Em um ato de simples obediência, você se aproxima, serve-a com carinho e, finalmente, comunica com mansidão o evangelho que Deus lhe deu:
“Jesus Cristo morreu na cruz pelos seus pecados e ressuscitou.
Deus ama você e espera ardentemente que você volte aos braços do Pai.”
Aquele evangelho cai no solo do coração, brota, e a pessoa se arrepende, recebe Jesus como Salvador e retorna para Deus.
Acontece o milagre em que uma pessoa sob a morte eterna é transportada para a vida.
E você e eu somos usados como gloriosos instrumentos dessa vida.
O que neste mundo poderia ter um valor mais nobre e eterno do que isso?
A perspectiva e o zelo de quem pesca pessoas
Devemos elevar o padrão da nossa fé
A nossa fé não pode permanecer para sempre restrita a súplicas egocêntricas como “resolve o meu problema” ou “consola a minha dor”.
É claro que Deus Pai cuida de nossas fraquezas e necessidades com profunda ternura.
Contudo, Deus deseja que avancemos a partir daí e cresçamos para um lugar mais amplo e maduro.
Esse é o lugar onde abraçamos o coração do Pai.
É compartilhar a aflição de Deus ao contemplar as vidas perdidas e olhar para o mundo com a perspectiva dele.
Nesse momento, as perguntas da nossa fé se renovam.
Em vez de perguntar: “Senhor, o que vais me dar hoje?”, amadurecemos para perguntar:
“Senhor, a quem queres que eu ame e sirva hoje?”
“Senhor, para qual vida queres que eu seja uma ponte do evangelho hoje?”
Viver como pescador de homens
Quem foi alcançado pela graça do evangelho não é o ponto final da graça.
Nós somos canais de vida por onde a graça de Deus passa para continuar fluindo.
A luz da vida que recebi gratuitamente precisa fluir com naturalidade para alcançar outras vidas ao meu redor.
Por isso, oramos em silêncio desta maneira:
“Senhor, faze-me viver como pescador de homens.”
“Abre os meus olhos espirituais para que eu reconheça a dor de quem está perdido.”
“Quando o Espírito Santo bater à porta de uma pessoa, faze com que eu também me mova em obediência a esse chamado.”
“Derrama sobre mim um coração capaz de amar, esperar e servir a uma vida até o fim.”
Olhar para cada pessoa com os olhos de Deus
O nosso olhar fica preso com muita facilidade apenas às nossas próprias circunstâncias.
Ficamos absorvidos por nossos problemas, nossas necessidades, nossos planos e dificuldades, e deixamos de olhar para quem está ao redor.
No entanto, Deus deseja que levantemos os olhos e vejamos as vidas que estão ao nosso lado:
A pessoa que vive em vazio sem conhecer a Deus;
aquela que mantém formalidades religiosas exteriores, mas ainda não encontrou o evangelho da cruz no coração;
aquela que perdeu o primeiro amor da fé e adormeceu profundamente;
aquela que, em meio a uma crise na vida, finalmente começou a buscar o Deus Criador.
Precisamos pedir a Deus que coloque em nosso coração o mesmo olhar compassivo que Ele tem para com essas pessoas:
“Deus, mostra-me o coração do Pai.”
“Permite-me olhar com os mesmos olhos de misericórdia com que o Senhor contempla cada vida.”
“Usa a minha pequenez para conduzir pessoas ao Senhor.”
O fogo do evangelho precisa arder novamente
Todos nós somos devedores do evangelho.
Apenas pelo fato de termos sido salvos, já recebemos uma graça infinita que jamais poderemos pagar em toda a nossa existência.
E, além disso, Deus nos confiou o glorioso privilégio de transmitir esse precioso evangelho de vida a outras pessoas.
Portanto, precisamos reacender o fogo sagrado do evangelho.
“Você nasceu verdadeiramente de novo?”
Primeiro, examine a si mesmo em silêncio.
Você se encontrou pessoalmente com Jesus Cristo por meio do arrependimento e da fé?
Essa vida continua operando com poder em seu interior hoje?
Se sim, faça essa luz de vida fluir para alcançar as pessoas ao seu redor.
Se a certeza da salvação ainda não estiver clara para você, convidamos você a se colocar hoje com humildade diante do evangelho da cruz.
Abra mão da própria justiça, reconheça-se pecador e receba de coração a Jesus, que morreu na cruz e ressuscitou.
E se você já desfruta da graça da salvação, ore em silêncio:
“Deus, não permitas que a minha fé se restrinja apenas ao meu próprio conforto.”
“Faze-me ser um canal de vida que vivifica pessoas.”
“Permite que, ao longo de toda a minha vida, eu produza belos frutos para o Reino de Deus.”
Deus continua buscando com anseio cada pessoa perdida.
E Ele procura uma pessoa fiel que se aproxime dessa vida para lhe anunciar o evangelho da salvação.
“Senhor, eu quero ser essa pessoa.”
Que o evangelho arda novamente com intensidade em nosso íntimo,
que ele flua por meio de nossos lábios acolhedores e da nossa vida,
e que vidas afastadas de Deus retornem aos braços do Pai.
Essa é a santa obra pela qual uma alma chega à salvação,
e a jornada do evangelho que nós, que nascemos de novo, devemos trilhar juntos.